domingo, 23 de janeiro de 2011

escondido.

nós, seres superiores. vós, seres inferiores. somos aquilo que os outros dizem. tudo nos influência, somos moldáveis. somos um todo, unidos por caquinhos do nada. tornamo-nos banais ao mundo, e o mundo tornou-se pequeno para nós. uma palavra não chega, essa palavra está bastante usada. um gesto que significa, mas que se esquece, sendo substituído por outro. torna-se uma rotina, mas eu quero quebra-la. quero que exista um nós, como de princípio. não quero um mar de rosas, pois iria tornar-se monótono e absolutamente chato. só quero mais altos que baixos. não tenho mais cabeça para ti, ou melhor, tu não tens cabeça, só tens prazer metido nela. somos diferentes, havia algo que nos unia. passado, não voltarás a ser o presente tão rápido.

sábado, 30 de outubro de 2010

# - pedaço de pedra

Estava escuro. Deveriam ser uma 5h da manhã. Não tinha sono, e já acordara há algum tempo. Havia algo em mim que me perturbava, que eu queria expressar e não conseguia. Então, levantei-me e sem pensar dirigi-me à oficina. As estátuas já concebidas por mim não se distinguiam, eram sombras e não passariam disso enquanto o sol não raiasse. Ainda meio atordoada, e um pouco instintivamente agarrei num bocado de mármore , no escopro e sentei-me.
Não tinha formas definidas do que queria fazer, mas sabia que o meu instinto não me deixaria falhar.  Continuava escuro e dentro de mim havia uma revolta, uma mistura de sentimentos que não conseguia conter por muito mais tempo.
Comecei a esculpir aquele pedacinho de mármore frio, sem forma aparente.
Rapidamente, sem eu me aperceber se fez dia e os raios de sol que entravam pela persiana meio estragada iluminavam não só a casa, mas a minha alma e o meu coração, os sentimentos que já estavam mais calmos e que já iam ganhando forma no mármore.
A minha revolta e angustia  fez com que a estátua ganhasse formas marcadas e bem delineadas . O meu amor, o meu sentimento de ternura até lá não revelado fez com que ganhasse feições doces e perfeitas. Isto fez-me acalmar e descansar.
O meu instinto não me deixou ficar mal, pelo menos desta vez.
Continuei no meu trabalho, na minha mistura de sentimentos . Havia um, um que superava todos os sentimentos, que nos acompanha em tudo, que nunca nos larga. O medo. O medo, também revelado naquele pedaço de pedra, parecia ter as feições ainda mais marcadas que a angústia. O medo. Surgira de tudo, e do nada. Não era apenas psicológico, vinha mais além.
Não o podia deixar dentro de mim, tinha que sair, que ser exprimido de um jeito qualquer. E então surgiu.
O medo tomou a forma mais bela, mas a mais triste e erradicada de todas.
Acabei.
Nunca me acontecera algo tão meu, tão instintivo. 
Perfeita. 
Agora poderei descansar.




Regina.

sábado, 18 de setembro de 2010

# - eu sei lá

eu acordara. não me sentia em mim e aquele lugar era imundo, estranho para a forma como eu me sentia naquele momento. Tinha tudo, e não tinha nada, tinha pensamentos , o que não era suposto ter, pelo menos aqueles pensamentos. Tudo era confuso, por isso este texto é confuso. Incompreensível era a palavra certa para descrever-me naquele momento, porque ninguém me compreende, ninguém entende a minha forma, a minha forma de agir e de pensar.
Naquele momento só queria sair dali, mas havia algo que me prendia, não na realidade, mas sim na minha mente. Eu não podia sair, não podia apagar aquele sitio, onde me trazia lembranças vivas e saudades, mas sobretudo lembranças.
Era ontem uma criança e hoje não sei o que sou, sou tudo e ao mesmo tempo não sou nada, sou eu e são outros/as reflectidos em mim, no meu ser.
Foram promessas, foram beijos e foram abraços de que nada mudaria e agora tudo mudou, nada permanece e nada é eterno. NADA !
Voltei a adormecer e mais tarde a acordar naquele lugar, naquele lugar, naquele lugar ..

Regina.